"Os
Lusíadas" - Canto II - 65
«Dai velas
(disse), dai
ao largo vento,
Que o Céu
nos favorece,
e Deus o manda;
Que um mensageiro
vi do claro
Assento,
Que só em
favor de nossos
passos anda.»
Alevanta-se nisto
o movimento
Dos marinheiros,
de hua
e de outra banda,
Levam , gritando,
as âncoras
acima,
Mostrando a ruda
força,
que se estima. |
Canto
II - 66
Neste tempo que
as âncoras
levavam,
Na sombra escura
os Mouros
escondidos
Mansamente as
amarras lhe
cortavam,
Por serem,
dando à
costa, destruídos;
Mas com vista de
linces vigiavam
Os Portugueses,
sempre apercebidos.
Eles, como
acordados os sentiram,
Voando, e
não remando, lhe
fugiram. |
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Canto
II - 67
Mas já as
agudas proas
apartando
Iam as vias
húmidas
de argento;
Assopra-lhe
galerno
o vento e brando,
Co suave e seguro
movimento.
Nos perigos
passados vão
falando,
Que mal se
perderão
do pensamento
Os casos grandes,
donde em
tanto aperto
A vida em salvo
escapa por
acerto. |
Canto
II - 68
Tinha hua
volta dado
o Sol ardente
E noutra
começava, quando
viram
Ao longe dous
navios,
brandamente
Cos ventos
navegando,
que respiram.
Porque haviam de
ser da Maura
gente,
Pera eles
arribando,
as velas viram.
Um, de temor do
mal que arreceava,
Por, se
salvar a gente,
à costa dava. |
Canto
II - 69
Não
é o outro-que
fica tão manhoso,
Mas nas
mãos vai cair
do Lusitano,
Sem o rigor de
Marte furioso
E sem a
fúria horrenda
de Vulcano;
Que, como fosse
débil
e medroso
Da pouca gente o
fraco peito
humano,
Não teve
resistência;
e, se a tivera,
Mais dano,
resistindo, recebera. |
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