Passatempo n.º 21

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"Os Lusíadas" - Canto I - 101
Mas o malvado Mouro, não podendo
Tal determinação levar avante,
Outra maldade inica cometendo,
Ainda em seu propósito constante,
Lhe diz que, pois as águas, discorrendo,
Os levaram por força por diante,
Que outra Ilha tem perto, cuja gente
Eram Cristãos com Mouros juntamente.
Canto I - 102
Também nestas palavras lhe mentia,
Como por regimento, enfim, levava,
Que aqui gente de Cristo não havia,
Mas a que a Mahamede celebrava.
O Capitão, que em tudo o Mouro cria,
Virando as velas, a Ilha demandava;
Mas, não querendo a Deusa guardadora,
Não entra pela barra, e surge fora.
Os Lusíadas
Canto I - 103
Estava a Ilha à terra tão chegada,
Que um estreito pequeno a dividia;
Hua cidade nela situada,
Que na fronte do mar aparecia,
De nobres edifícios fabricada,
Como por fora, ao longe, descobria,
Regida por um Rei de antiga idade:
Mombaça é o nome da Ilha e da cidade.
Canto I - 104
E, sendo a ela o Capitão chegado,
Estranhamente ledo, porque espera
De poder ver o povo baptizado,
Como o falso piloto lhe dissera,
Eis vem batéis da terra com recado
Do Rei, que já sabia a gente que era,
Que Baco muito de antes o avisara,
Na forma doutro Mouro, que tomara.
Canto I - 105
O recado que trazem é de amigos,
Mas debaxo o veneno vem coberto,
Que os pensamentos eram de inimigos,
Segundo foi o engano descoberto.
Oh! Grandes e gravíssimos perigos,
Oh! Caminho da vida nunca certo,
Que, aonde a gente põe sua esperança,
Tenha a vida tão pouca segurança!