"Os
Lusíadas" - Canto I - 101
Mas o malvado
Mouro, não
podendo
Tal
determinação
levar avante,
Outra maldade inica
cometendo,
Ainda em seu
propósito
constante,
Lhe diz que, pois
as águas,
discorrendo,
Os levaram por
força
por diante,
Que outra Ilha tem
perto,
cuja gente
Eram
Cristãos com Mouros
juntamente. |
Canto
I - 102
Também
nestas palavras
lhe mentia,
Como por
regimento, enfim,
levava,
Que aqui gente de
Cristo não
havia,
Mas a que a Mahamede
celebrava.
O Capitão,
que em tudo
o Mouro cria,
Virando as velas,
a Ilha demandava;
Mas, não
querendo a
Deusa guardadora,
Não entra
pela barra,
e surge fora. |
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Canto
I - 103
Estava a Ilha
à terra
tão chegada,
Que um estreito
pequeno a dividia;
Hua cidade
nela situada,
Que na fronte do
mar aparecia,
De nobres
edifícios
fabricada,
Como por fora, ao
longe, descobria,
Regida por um Rei
de antiga
idade:
Mombaça
é o nome
da Ilha e da cidade. |
Canto
I - 104
E, sendo a ela o
Capitão
chegado,
Estranhamente
ledo, porque
espera
De poder ver o
povo baptizado,
Como o falso
piloto lhe dissera,
Eis vem
batéis
da terra com recado
Do Rei, que
já sabia
a gente que era,
Que Baco muito de
antes o avisara,
Na forma doutro
Mouro, que
tomara. |
Canto
I - 105
O recado que
trazem é
de amigos,
Mas debaxo
o veneno
vem coberto,
Que os
pensamentos eram de
inimigos,
Segundo foi o
engano descoberto.
Oh! Grandes e
gravíssimos
perigos,
Oh! Caminho da
vida nunca certo,
Que, aonde a
gente põe
sua esperança,
Tenha a vida
tão pouca
segurança! |
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