"Os
Lusíadas" - Canto I - 51
Do mar temos
corrido e navegado
Toda a parte do
Antárctico
e Calisto,
Toda a costa
Africana rodeado,
Diversos
céus e terras
temos visto.
Dum Rei potente
somos, tão
amado,
Tão
querido de todos
e benquisto,
Que não no
largo Mar,
com leda fonte,
Mas no lago
entraremos de Aqueronte. |
Canto
I - 52
E, por mandado
seu, buscando
andamos
A terra Oriental
que o Indo
rega;
Por ele o mar
remoto navegamos,
Que só dos
feios focas
se navega.
Mas já
razão
parece que saibamos
(Se entre
vós a verdade
não se nega)
Quem sois, que
terra é
esta que habitais,
Ou se tendes da
Índia
alguns sinais.» |
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Canto
I - 53
«Somos (um
dos das Ilhas
lhe tornou)
Estrangeiros na
terra, Lei
e nação;
Que os
próprios são
aqueles que criou
A Natura, sem Lei
e sem Razão.
Nós temos
a Lei certa
que insinou
O claro
descendente de Abraão,
Que agora tem do
Mundo o senhorio,
A mãe
Hebreia teve e
o pai Gentio. |
Canto
I - 54
Esta Ilha pequena
que habitamos
É em toda
esta terra
certa escala
De todos os que
as ondas navegamos,
De Quíloa,
de Monbaça
e de Sofala.
E, por ser
necessária,
procuramos,
Como
próprios da terra,
de habitá-la;
E, por
que tudo enfim
vos notifique,
Chama-se a
pequena Ilha: Moçambique. |
Canto
I - 55
E, já que
de tão
longe navegais,
Buscando o Indo Hidaspe
e terra ardente,
Piloto aqui
tereis, por quem
sejais
Guiados pelas
ondas sabiamente.
Também
será bem
feito que tenhais
Da terra algum
refresco, e
que o Regente,
Que esta terra
governa, que
vos veja
E do mais
necessário
vos proveja.» |
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