"Os
Lusíadas - Canto II - 70
E, como o Gama
muito desejasse
Piloto pera
a Índia,
que buscava,
Cuidou que entre
estes Mouros
o tomasse;
Mas não
lhe sucedeu
como cuidava,
Que nenhum deles
há
que lhe insinasse
A que parte dos
céus
a Índia estava;
Porém
dizem-lhe todos
que tem perto
Melinde, onde
acharão
piloto certo. |
Canto
II - 71
Louvam do Rei os
Mouros a bondade,
Condição
liberal,
sincero peito,
Magnificência
grande
e humanidade,
Com partes de
grandíssimo
respeito.
O Capitão
o assela por
verdade,
Porque já
lho dissera
deste jeito
O Cileneu em
sonhos; e partia
Pera onde
o sonho e
o Mouro lhe dizia. |
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Canto
II - 72
Era no tempo
alegre, quando
entrava
No roubador de
Europa a luz
Febeia,
Quando um e o
outro corno lhe
aquentava,
E Flora derramava
o de Amalteia.
A memória
do dia renovava
O pressuroso Sol,
que o Céu
rodeia,
Em que Aquele, a
quem tudo
está sujeito,
O selo pôs
a quanto tinha
feito; |
Canto
II - 73
Quando chegava a
frota àquela
parte,
Onde o Reino
Melinde já
se via,
De toldos
adornada e leda,
de arte
Que bem mostra
estimar o santo
dia.
Treme a bandeira,
voa o estandarte,
A cor
purpúrea ao longe
aparecia;
Soam os atambores
e
pandeiros;
E assi
entravam ledos
e guerreiros. |
Canto
II - 74
Enche-se toda a
praia Melindana
Da gente que vem
ver a leda
armada,
Gente mais
verdadeira e mais
humana,
Que toda a doutra
terra atrás
deixada.
Surge diante a
frota Lusitana,
Pega no fundo a
âncora
pesada.
Mandam fora um
dos Mouros que
tomaram,
Por quem sua a
vinda ao Rei
manifestaram. |
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